Perguntas e Respostas

Psicologia:

 

O que é Psicoterapia Cognitivo-Comportamental?

A Psicoterapia Cognitiva foi inicialmente desenvolvida por Aaron Beck, em meados da década de 1960 e originou-se de estudos para o tratamento da depressão. À época, Beck constatou que os pacientes deprimidos possuíam uma visão de si, do mundo e do futuro muito negativa, promovendo distorções cognitivas importantes e que desencadeavam os sintomas depressivos. Posteriormente, a Psicoterapia Cognitiva expandiu-se para os tratamentos de diversas psicopatologias, entre as quais os transtornos de ansiedade, transtornos alimentares, dependência química, transtornos de humor, de personalidade, entre outros.

Segundo Beck (1976), “quando o indivíduo é capaz de preencher o espaço faltante entre uma situação (evento ativador) e as consequências emocionais e comportamentais, então suas reações se tornam compreensíveis.”

Quais os princípios fundamentais da Psicoterapia Cognitiva?

A atividade cognitiva influencia o comportamento;
A atividade cognitiva pode ser monitorada e alterada;
O comportamento desejado pode ser influenciado mediante a mudança cognitiva.

Qual o tempo de duração da Terapia Cognitiva?

A Psicoterapia Cognitiva, de maneira geral, é breve, com duração em torno de 16 a 20 sessões. Ocorre, no entanto, que para alguns transtornos, como os de personalidade, ela pode se estender por mais tempo.

Como funciona, na prática, esse modelo de Psicoterapia?

Trata-se de uma intervenção guiada, um trabalho conjunto entre paciente e terapeuta para a identificação dos erros lógicos, pensamentos e crenças distorcidas, para posterior modificação desses padrões de pensamento. Envolve construir habilidades e isso só é possível através da prática. Paciente e terapeuta trabalham juntos a fim de identificar, examinar e modificar as cognições distorcidas ou disfuncionais em três níveis: pensamentos automáticos, crenças intermediárias e crenças centrais. Mudanças nas cognições produzem mudanças nos comportamentos e emoções e vice-versa.

Qual a relação entre pensamento e humor?

Sempre que você percebe uma alteração no humor (alegria, tristeza, raiva, medo…) existe um pensamento relacionado que contribui para manter, aumentar ou diminuir esse estado emocional.

Diferentes interpretações para determinada situação levam a diferentes estados de humor. Considerando que os estados de humor são a principal causa de sofrimento, é importante que você identifique e questione seus pensamentos antes de agir.

Qual a relação entre pensamento e comportamento?

Nossos pensamentos e comportamentos estão interligados. Diariamente repetimos comportamentos automatizados, sem perceber que estamos agindo dessa forma, pois os comportamentos já se transformaram em hábitos. Entretanto, quando decidimos mudar algum hábito ou aprender um novo comportamento é importante atentar para os nossos pensamentos automáticos, pois eles determinarão se essa mudança acontecerá ou não.

Se acreditarmos em algo e se criarmos expectativas em relação a alguma situação teremos mais chance de sermos bem-sucedidos.

Não sabendo que era impossível foi lá e fez.
Jean Cocteau

8 – O que são pensamentos automáticos?

Os pensamentos automáticos influenciam nossos comportamentos diariamente. São palavras, frases e/ou imagens que surgem em nossas mentes na medida em que desempenhamos nossas atividades.

Identificar os pensamentos é um dos primeiros passos em direção à mudança e uma melhor compreensão dos problemas.

Para identificar os seus pensamentos automáticos, use como “termômetro” as suas emoções. Quando sentir alguma alteração emocional, tente observar/ouvir o seu diálogo interno. Perceba o que você diz a si mesmo. Se precisar, questione-se: O que isso diz a meu respeito? Por que estou com medo? O que pior pode acontecer?

O modelo A, B, C

O modelo A, B, C é usado para explicar o modelo cognitivo e ajuda a identificar os pensamentos que ficam entre as situações ativadoras e as conseqüências (emocionais, fisiológicas e comportamentais).

    • A = Situações – Eventos ativadores
    • B = Beliefs – crenças – pensamentos
    • C = Conseqüências (emocionais, fisiológicas e comportamentais)
      Para determinada situação (A), existe um numero infinito de pensamentos, crenças, interpretações ou idéias (B) que influenciam e geram as conseqüências (C).

O que perturba o ser humano não são os fatos, mas as interpretações que ele faz dos fatos. Epitectus – Século I

10 – O que são distorções cognitivas?

Embora alguns pensamentos automáticos sejam verdadeiros, muitos são falsos ou apenas possuem algumas parcelas de verdade. São as distorções que podem ocorrer no pensamento. As principais distorções cognitivas:

  • Catastrofização: predizer o futuro negativamente, sem levar em consideração outros resultados mais prováveis.
  • Desqualificar o positivo: falar para si mesmo, sem razão, que experiências positivas, conquistas e qualidades não contam.
  • Emocionalização: pensar que algo deve ser verdadeiro porque você “sente” (acredita) tão forte, ignorando evidências contrárias. “sinto, logo existe”.
  • Filtro mental: prestar atenção num pequeno detalhe, ao invés de ver o quadro por inteiro.
  • Hipergeneralização: chegar a uma conclusão negativa abrangente que extrapola a situação em questão.
  • Leitura mental: acreditar que sabe o que os outros estão pensando, falhando em considerar outras possibilidades prováveis.
  • Magnificação/ minimização: ao fazer uma avaliação de si mesmo, de outra pessoa, ou de uma situação, magnifica o negativo ou minimiza o positivo.
  • Rotulação: fixar um rótulo em si mesmo ou nos outros, sem considerar que as evidências podem levar a conclusões menos desastrosas.
  • Pensamento polarizado: perceber uma situação em apenas dois níveis – 8 ou 80.
  • Personalização: acreditar que os outros estão se comportando de determinada forma por sua causa, sem considerar outras possibilidades.

11 – O que aprendo na Psicoterapia Cognitiva pode ser usado em outras situações da minha vida?

Um dos objetivos da Psicoterapia Cognitiva é que, com o tempo, você aprenda a ser seu próprio terapeuta. Sendo assim, é importante que você se utilize das ferramentas adquiridas com a terapia.
Estes aprendizados devem ser utilizados em diversas situações e sempre que você perceber que está reagindo de forma exageradamente emocional ou disfuncional.

A seguir, vão algumas dicas:

  • É preciso aprender a decompor os grandes problemas em componentes menores, ou que pelo menos seja possível que você consiga manejá-los;
  • Gere respostas alternativas para os problemas, tentando analisá-los sob o maior número de ângulos que for possível;
  •  É preciso que você consiga identificar, testar e responder aos seus pensamentos automáticos (aqueles primeiros que vêm à sua cabeça, podendo ser também em forma de imagens) e também às suas crenças (que são as explicações que você usa para fundamentar e confirmar seus pensamentos automáticos). A partir disso, é interessante que você consiga desenvolver respostas racionais.
  • Após o desenvolvimento destas respostas racionais, reavalie seus pensamentos e veja o quanto você ainda acredita neles.
  • Faça um registro dos seus pensamentos disfuncionais. Muitas vezes, só o fato de ler o que você registrou, num outro momento, já permite que você se dê conta do quanto eles são exagerados.
  • Faça uma agenda, monitorando as suas atividades e tentando identificar quais as que lhe proporcionam bem-estar quais as que lhe são desagradáveis.
  • Utilize técnicas de distração e relaxamento
  • Quando estiver diante de situações difíceis, é importante que você consiga hierarquizar as tarefas, começando sempre pelo mais fácil.
  • É muito importante que você consiga reconhecer os seus progressos e atribua um valor a eles.
  • Tente sempre identificar as vantagens e desvantagens (seja de determinados pensamentos, crenças, comportamentos ou escolhas quanto à tomada de decisão).